Falta de memória e concentração: o que pode ser e quando investigar
A falta de memória e concentração em adultos costuma ter causas comuns e tratáveis: sono insuficiente, ansiedade, depressão, excesso de estímulos, TDAH, alterações hormonais como as da tireoide, efeitos de medicações e deficiência de vitamina B12. Doenças neurodegenerativas são causas menos frequentes. Vale investigar quando as queixas persistem, pioram ou atrapalham o trabalho e a rotina, começando por uma consulta médica e, se indicado, pela avaliação neuropsicológica.
Quando esquecer é normal
Todo mundo esquece onde deixou a chave, o nome de alguém que acabou de conhecer ou o motivo de ter entrado num cômodo. Esses lapsos fazem parte do funcionamento normal do cérebro, que filtra o tempo todo o que merece ser guardado.
O esquecimento se torna motivo de atenção quando é novo, quando aumenta com o tempo, quando outras pessoas começam a notar ou quando traz prejuízo real: prazos perdidos, erros repetidos no trabalho, contas esquecidas, conversas que precisam ser repetidas.

Esquecimento frequente e desatenção são coisas diferentes
Grande parte das queixas de esquecimento frequente vem, na verdade, da atenção. Se a informação não foi bem registrada no momento em que chegou, porque a mente estava em outro lugar, ela não tem como ser lembrada depois. Nesses casos a memória funciona, mas a porta de entrada falhou.
Causas comuns de falta de memória e concentração
Na maioria dos adultos, a origem está em fatores do dia a dia ou em condições tratáveis. Muitas vezes, mais de uma causa atua ao mesmo tempo, o que explica por que ajustar só um ponto nem sempre resolve.
- Sono insuficiente ou de má qualidade, inclusive por apneia do sono
- Ansiedade e estresse prolongado, que ocupam a atenção com preocupações
- Depressão, que reduz energia, motivação e velocidade de raciocínio
- TDAH em adultos, muitas vezes nunca diagnosticado na infância
- Excesso de estímulos, interrupções e multitarefa constante
- Alterações hormonais, como hipotireoidismo, e mudanças da menopausa
- Efeitos de medicações, como alguns calmantes, antialérgicos e remédios para dormir
- Deficiência de vitamina B12 e outras alterações nutricionais
- Uso de álcool e outras substâncias
- Mais raramente, doenças neurodegenerativas, como as demências
Como a avaliação diferencia atenção e memória
A queixa de dificuldade de concentração e a de memória costumam chegar juntas, e a avaliação neuropsicológica serve justamente para separá-las. Ela mede, com testes padronizados, a atenção sustentada e seletiva, a memória de trabalho, a capacidade de aprender e de evocar informações novas, a velocidade de processamento e as funções executivas.
Os padrões ajudam no raciocínio clínico. Quem tem dificuldade de atenção costuma melhorar muito quando recebe pistas para lembrar. Já quem tem um problema de armazenamento esquece mesmo com ajuda. Ansiedade, depressão e TDAH deixam marcas diferentes nos resultados, que são interpretados junto com a história clínica.
O exame não faz diagnóstico sozinho. Ele descreve o funcionamento cognitivo, e o psiquiatra integra esses dados à entrevista, aos exames de sangue e, quando indicado, aos exames de imagem para chegar a uma conclusão.
Teste de memória rápido resolve?
Um teste de memória rápido, feito em consulta ou encontrado na internet, pode servir de triagem, mas não explica a causa das queixas nem diferencia atenção de memória. Um resultado normal não afasta problemas sutis, e um resultado baixo pode refletir apenas ansiedade ou cansaço no dia.
Quando investigar a falta de memória e concentração
Procure avaliação quando os lapsos deixarem de ser ocasionais, especialmente se houver:
- Esquecimentos que aumentaram nos últimos meses
- Queda de desempenho no trabalho ou nos estudos
- Perguntas repetidas ou dificuldade de lembrar conversas recentes
- Dificuldade de concentração desde a infância, com prejuízo contínuo
- Queixas que surgiram junto com tristeza, ansiedade ou insônia
- Familiares ou colegas que notaram a mudança
- Desorientação em lugares conhecidos ou dificuldade com tarefas antes simples
O que fazer: da consulta ao plano
Na Cognus, a investigação parte da conversa clínica e avança para os testes quando eles trazem informação útil.
- Consulta psiquiátricaO médico investiga sono, humor, ansiedade, uso de medicações e substâncias, histórico de TDAH e sinais de outras doenças, e solicita exames de sangue quando indicado.
- Avaliação neuropsicológicaQuando necessária, mede atenção, memória, funções executivas e velocidade de processamento em sessões com duração de cerca de uma hora.
- Discussão do casoPsiquiatra e neuropsicóloga cruzam os resultados com a história clínica para identificar a origem mais provável das queixas.
- Devolutiva e planoO paciente recebe explicação dos resultados e um plano que pode incluir tratamento de sono, ansiedade, depressão ou TDAH, mudanças de rotina e estratégias práticas de organização.
Dr. Tiago Figueiredo, psiquiatra com doutorado em TDAH e neurodesenvolvimento
Na Cognus, a avaliação de dificuldades de concentração ou memória é discutida em equipe e supervisionada pelo Dr. Tiago Figueiredo (CRM 28835-DF | CRM 100148-5 RJ), cofundador da clínica e idealizador da Avaliação do Perfil Cognitivo.
- Residência e mestrado em Psiquiatria pelo IPUB/UFRJ
- Doutorado (Instituto D'Or) e pós-doutorado (UFMG)
- Treinamento em ADOS-2 na University of Washington
- Cerca de 500 avaliações integradas na Cognus
- Pesquisa em TDAH, autismo e cognição social
- Autor de três livros sobre cognição social
Enquanto isso, no dia a dia
Proteja o sono
Horários regulares e menos telas à noite costumam ter efeito rápido sobre a atenção. Ronco alto e cansaço ao acordar merecem investigação.
Reduza as interrupções
Fazer uma tarefa de cada vez, silenciar notificações e anotar compromissos logo que surgem diminui a sobrecarga da atenção.
Não se automedique
Suplementos e estimulantes sem indicação podem mascarar a causa ou trazer efeitos indesejados. A investigação vem antes do tratamento.
Profissionais que participam do atendimento
Perguntas frequentes sobre falta de memória e concentração
Não encontrou sua pergunta? Fale com a recepção pelo WhatsApp.
Tirar dúvidasFalta de memória e concentração pode ser ansiedade?
Pode, e é uma das causas mais comuns. A ansiedade ocupa a atenção com preocupações e dificulta o registro de informações novas, o que parece falha de memória. Depressão e sono ruim têm efeito parecido. Uma consulta ajuda a identificar a causa e o tratamento adequado.
Tenho 35 anos e esqueço tudo, é Alzheimer?
É pouco provável nessa idade. Em adultos jovens, esquecimentos costumam estar ligados a sono, ansiedade, depressão, TDAH, excesso de tarefas ou medicações. Ainda assim, queixas persistentes merecem avaliação para identificar a causa e tratá-la.
Qual exame mostra se minha memória está normal?
A avaliação neuropsicológica é o exame que mede a memória e a atenção com testes padronizados e compara o resultado com pessoas da mesma idade e escolaridade. Exames de sangue e, às vezes, de imagem complementam a investigação, conforme orientação médica.
Dificuldade de concentração em adulto pode ser TDAH?
Pode, principalmente quando a desatenção existe desde a infância e causa prejuízo em várias áreas da vida. Mas ansiedade, depressão e sono ruim produzem sintomas parecidos. O diagnóstico de TDAH é clínico e a avaliação neuropsicológica ajuda a diferenciar essas causas.
Vitamina B12 baixa causa esquecimento?
Pode causar, assim como alterações da tireoide e outros problemas clínicos. Por isso a investigação costuma incluir exames de sangue antes de concluir qualquer coisa. Reposição de vitaminas deve ser feita com orientação médica e após confirmação da deficiência.
Como a Clínica Cognus conduz: falta de memória e concentração
Centro Clínico Advance I, SGAS 915, Lotes 69/70, Salas 216/218, Asa Sul, Brasília. Atendimento de seg - sex, das 08:00 às 18:00.
Leia também
-
Avaliação Neuropsicológica
A avaliação neuropsicológica mede atenção, memória, linguagem, raciocínio e funções executivas com testes padronizados, e ajuda a esclarecer diagnósticos como TDAH, autismo e declínio cognitivo.
-
TDAH
O teste de TDAH, na prática, é uma avaliação clínica completa: entrevista médica, testes de atenção e funções executivas e escalas respondidas por família e escola, para separar o TDAH de outras causas.
-
Avaliação do Idoso
Nem todo esquecimento na velhice é sinal de doença. A avaliação cognitiva ajuda a separar o envelhecimento esperado de um declínio que merece tratamento, identifica causas reversíveis e orienta a família em decisões de segurança e cuidado.
-
Avaliação do Perfil Cognitivo (APC)
A Avaliação do Perfil Cognitivo (APC) é o modelo da Clínica Cognus que reúne avaliação médica, neuropsicológica e fonoaudiológica em um único processo, com discussão em equipe e laudo único.
Conteúdo informativo revisado por Dr. Tiago Figueiredo (CRM 28835-DF | CRM 100148-5 RJ) em 25/09/2026. Não substitui consulta: diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual. Responsável técnico: Dr. Diêgo Figueiredo, CRM 26672-DF.
Dr. Tiago Figueiredo
Dr. Allan Marinho
Maria Clara de Oliveira
Ana Carolina Rabetti
Karla Valente Sanches