O TDAH é uma condição comum em crianças e adolescentes que pode persistir na idade adulta. A prevalência de TDAH nos Estados Unidos foi estimada em 5% a 8% em crianças (10% em crianças em idade escolar) e 3% em adultos. Estima-se que a prevalência mundial de TDAH seja tão alta quanto ou maior do que nos Estados Unidos.
Para a maioria dos indivíduos com TDAH, os sintomas de hiperatividade tornam-se menos proeminentes na idade adulta, mas as dificuldades com a desatenção geralmente persistem. Foi estimado que 15% das crianças com TDAH continuam a manifestar a síndrome completa aos 25 anos de idade e 65% demonstram aspectos parciais da síndrome. Apesar dessas observações, muitos adultos continuam usando psicoestimulantes durante a vida adulta, o que torna relevante conhecer os efeitos cardiovasculares dos remédios para TDAH.
A patogênese e a fisiopatologia do TDAH não são completamente compreendidas. Postula-se que a síndrome possa resultar de desregulação da dopamina e/ou de anormalidades neuroanatômicas no córtex frontal ou nos gânglios da base.
Medicamentos utilizados no tratamento do TDAH
Vários medicamentos foram aprovados pela Food and Drug Administration para o tratamento de pacientes com TDAH. Estes incluem 2 grupos de psicoestimulantes, como o metilfenidato (MPH) e drogas relacionadas e várias preparações de anfetaminas, incluindo sais mistos de anfetaminas (MAS) e lisdexanfetamina (LDX), e os não psicoestimulantes atomoxetina (ATX), guanfacina de liberação prolongada e clonidina de liberação prolongada.
A farmacoterapia do TDAH é altamente eficaz na redução da hiperatividade, da desatenção e da impulsividade, mas pode estar associada a alterações na frequência cardíaca (FC), na pressão arterial (PA) e na repolarização ventricular, gerando alteração no eletrocardiograma.
Como surgem os efeitos cardiovasculares dos remédios para TDAH
Medicamentos psicoestimulantes estimulam a atividade da norepinefrina sináptica, que aumenta o fluxo sanguíneo esplâncnico para a medula suprarrenal, aumentando assim os níveis circulantes de epinefrina e norepinefrina. Isso, por sua vez, causa estimulação dos receptores beta-1 do nó sinusal, o que facilita a abertura dos canais de cálcio do tipo L. Isso aumenta a inclinação da despolarização da fase 4, resultando em aumento da frequência sinusal.
O aumento dos níveis circulantes de norepinefrina eleva a PA estimulando diretamente os receptores alfa-1, resultando em aumento do tônus do músculo liso vascular. Em contraste, os não psicoestimulantes guanfacina e clonidina de liberação prolongada diminuem a PA por meio de seu agonismo alfa-2 simpaticolítico. O mecanismo pelo qual os psicoestimulantes prolongam o intervalo QTc não é bem compreendido.
O que os estudos mostram
Além de suas ações no sistema nervoso central, que são claramente benéficas, alguns desses medicamentos têm efeitos cardiovasculares indesejáveis relacionados às suas propriedades neuro-hormonais. Os medicamentos estimulantes mais utilizados produziram:
- aumento de 3 a 8 mmHg na pressão arterial sistólica;
- aumento de 2 a 14 mmHg na pressão arterial diastólica;
- aumento de 3 a 10 batimentos por minuto na frequência cardíaca;
- discreto prolongamento do intervalo QTc, quando presente.
As alterações na pressão arterial e na frequência cardíaca acontecem mais comumente durante a fase inicial de titulação das medicações, mas com impacto clínico insignificante em doses terapêuticas em todas as faixas etárias.
Atualmente, não há evidências suficientes de aumento do risco de doenças cardiovasculares entre adultos que usaram medicamentos para TDAH na infância. Os estudos mostram que o risco de morte súbita relacionada ao uso de estimulantes em crianças e em adultos está abaixo das taxas da população geral.
Acompanhamento durante o tratamento
Portanto, é importante a avaliação inicial e o acompanhamento da frequência cardíaca, da pressão arterial e, em alguns casos, do eletrocardiograma, principalmente durante a titulação das doses. Esse monitoramento permite identificar cedo os efeitos cardiovasculares dos remédios para TDAH sem abrir mão dos benefícios do tratamento. Além disso, é importante sempre avaliar a história patológica pessoal e os fatores de risco cardiovascular.
Fonte: Cardiovascular Effects of Drugs Used to Treat Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. Cardiology in Review, volume 27, número 3, maio/junho de 2019.